História da Bandeira Nacional

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Liga dos Combatentes

Dinastia de Borgonha ou Afonsina

Conde Dom Henrique (1081-1139), Conde Dom Afonso Henriques (1139-1143)
«De prata, uma cruz, de azul». Esta é a descrição heráldica do escudo do primeiro Rei de Portugal, herdada, segundo se diz, de seu pai, Henrique de Borgonha. Quase certamente, este brasão nunca tomou a forma de uma bandeira, pois estas, muito menos como representação uniformizada e generalizada de um país, ainda não existiam nesta época.
Dom Afonso Henriques (1143-1185)
 
Deu-se em 1143 «a entrada de um elemento novo na composição do brasão»... «os besantes ou dinheiros», cujo significado heráldico é o de resgate (pago pela libertação do cavaleiro que os ostentar no seu escudo, certamente não o caso de Ibn Anrik, que nunca caiu nas mão dos mouros...) ou o direito de cunhar moeda (o que se aplica certamente a um recém aclamado rei). Não se sabe ao certo qual era a bandeira de D. Afonso Henriques, mas não deve ter sido a cruz azul em campo branco, por tal arma ser pertença de D. Afonso I de Aragão. 
Dom Afonso I
Rei Dom Sancho I (1185-1211), Dom Afonso II (1211-1223) e Dom Sancho II (1223-1245)
 
No reinado de Dom Sancho I (1185-1211) aparecem as "quinas", escudetes carregados de besantes (círculos), que se dizem representar as cinco chagas de Cristo crucificado, enquanto que os vinte e cinco besantes, duplicando os cinco do escudete central, representariam as trinta moedas da traição de Judas Iscariotes. No entanto, é certo que os besantes não eram inicialmente cinco em cada escudete, aparecendo mais frequentemente onze. É quase certo que este brasão nunca tomou a forma de bandeira.
Dom Sancho I
Dom Afonso III (1248-1279)
 
Dom Dinis (1279-1325), Dom Afonso IV (1325-1357), Dom Pedro I (1357-1367) e Dom Fernando (1367-1383)
Não sendo o primogénito de seu pai, Dom Afonso III não deveria usar as armas paternas sem "diferença", de acordo com as práticas heráldicas da época: O seu casamento com Dona Beatriz de Castela influenciou assim a introdução de uma borda vermelha castelada a ouro. O facto de ter sido Afonso III quem conquistou definitiva e completamente o Algarve levou à convicção de que os castelos representavam o dito território, e até, que a cada corresponderia determinado edifício militar daquela zona, uma ideia tão divulgada como errónea, tanto mais que nesta altura o número de castelos ainda era variável, tal como o número de besantes nos escudetes.
Dom Afonso III
Dinastia de Avis
 
Dom João I, Mestre de Avis (1385-1433)

 

Dom Duarte (1433-1438), Dom Afonso V (1438-1481) e Dom João II (1481-1485)
Aclamado Rei na sequência da crise dinástica de 1383-1385, Dom João, Mestre da Ordem de Avis, introduziu outra alteração de fundo no brasão nacional ao incluir na bordadura as quatro pontas da cruz florida desta Ordem. Os castelos continuam em número variável, mas na bandeira (por ser quadrada) são mais geralmente nove, enquanto que os besantes vêm o seu número reduzido, embora ainda não fixado nos actuais cinco. Este é o primeiro brasão do qual se sabe ter sido efectivamente usado como bandeira.
Dom João I
Dom João II (1485-1495)
 
Em 1495, Dom João II, decreta duas alterações importantes na bandeira: Os escudetes são endireitados, ficando todos apontando para baixo, e a cruz de Avis é retirada. Nesta bandeira, a última bandeira armorial usada como pavilhão "nacional", os castelos aparecem frequentemente em número de sete, enquanto que os brasões da época e posteriores os têm ainda em número variável.
Dom João II
Dinastia de Avis-Beja

 

Dom Manuel I (1495-1521), Dom João III (1521-1573) e Dom Sebastião (1573-1578)
Neste reinado usaram-se já bandeiras rectangulares com um brasão no centro em vez das bandeiras armoriais quadradas, a exemplo das últimas tendências heráldicas europeias. Assim, também a bandeira nacional passou a ser branca com o escudo real ao centro, encimado por uma coroa real, aberta.
D. Manuel I
A bandeira naval representando a Cruz da Ordem de Cristo em fundo verde foi também um pavilhão usado durante o reinado de Dom Manuel, um uso a que não terá sido estranho prestígio que as explorações marítimas detinham nesta época.
Dom João III
Dom Sebastião (1578), Dom Henrique (1578-1580)
 
Nas vésperas de Alcácer-Quibir, mais duas importantes modificações foram feitas à bandeira: A coroa passou a ser fechada, a exemplo de outros monarcas europeus como reforço de autoridade do poder real, e o número de besantes em cada escudete e de castelos na bordadura foi finalmente fixado em cinco e sete, respectivamente.
Dom Sebastião I
Domínio Filipino (1580-1640)
 
 
Don Filipe I (1580-1598), Don Filipe II e Don Filipe III (1621-1640)
Durante este período continuou-se a usar a bandeira de Dom Sebastião no território de Portugal, bem como os vários pavilhões navais a bordo de embarcações portuguesas, numa medida destinada a apoiar a ficção de "numa mesma cabeça real, duas coroas distintas", tal como aliás a numeração independente dos três Filipes para Portugal e Espanha. Nesta altura começou a distinguir-se entre bandeira real (o estandarte pessoal do monarca) e bandeira do Reino.
Dinastia de Bragança
 
Dom João IV (1640-1656)
 
Dom Afonso VI (1656-1667)
Com a Restauração, a bandeira foi ligeiramente modificada, ficando o escudo com a ponta redonda, no formato dito português. É também a partir desta data que se inicia a distinção entre armas e bandeira reais e armas e bandeiras do Reino.
Dom João IV
A Bandeira com Cruz da Ordem de Cristo em fundo verde, usada no reinado de D. Manuel, foi muito popular durante o período da Restauração.
Dom Pedro II (1667-1706)
 
Dom Pedro II adapta o brasão às mais recentes modas da sua época, passando a coroa a ter cinco hastes, em vez de apenas três.
Dom Pedro II
Dom João V (1706-1750)
 
Dom José (1750-1777), Dom Pedro III (1777-1786) e Dona Maria I (1777-1816)
Tal como já fizera antes o seu pai, Dom João V vai também ordenar a "actualização" dos ornamentos do brasão, passando a coroa a ser forrada de um barrete vermelho e o escudo terminado em bico contra curvado, no formato dito francês.
Dom João V
Dom João VI (1816-1826)
 
Dom Pedro IV (1826) ,Dona Maria II (1826-1828) e Dom Miguel (1828-1833)
A esfera armilar, um antigo emblema pessoal de Dom Manuel e já usado na bandeira das naus da Carreira do Brasil, foi acrescentada por Dom João VI à bandeira real, para simbolizar o Reino de Portugal e Brasil. Sendo a coroa colocada em cima da esfera. O escudo volta a ser de ponta redonda, no formato dito português.
Dom João VI
Liberalismo (1830-1910)
 

Dona Maria II (1833-1853), Dom Pedro V (1853-1861), Dom Luís (1861-1889), Dom Carlos (1889-1908) e Dom Manuel II (1908-1910)

Com Dom Pedro IV, o fundo da bandeira passou a ser bipartido de azul e branco. A bandeira rectangular passou a ter um pano dividido verticalmente em duas áreas (azul, junto ao mastro, e branco) e as armas reais ao centro. Relativamente à bandeira anterior, de D. João VI, desapareceu a esfera armilar e optou-se pelo escudo, que D. João V já utilizara. Tem uma coroa fechada de 5 hastes e barrete vermelho ou púrpura.

Em algumas versões desta bandeira o pano azul ocupa, como na bandeira republicana, cerca de dois quintos do comprimento total, com o brasão sobre a separação. Por vezes, o estilo da coroa tem pequenas variações.
D. João IV ofereceu a sua coroa a Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, declarando Nossa Senhora Rainha de Portugal e, a partir dessa altura, a coroa deixou de ser colocada na cabeça dos reis.
Embora nas últimas bandeiras se refira a «coroa de 5 hastes», as coroas reais tinham 8 hastes. Rodando a coroa de certa maneira e olhando-a bem de frente, num certo plano, viam-se apenas 5 hastes. Mais uma vez, a forma do escudo passou de novo a ser em bico contra curvado, no formato dito francês.

Dom Pedro IV

Dom Manuel II
República (1910)
 
Dr. Teófilo Braga (1910-1911), Dr. Manuel de Arriaga (1911-1915), Dr. Teófilo Braga (1915-1916), Dr. Bernardino Machado (1916-1917), Sr. Sidónio Pais (1917-1918), Alm. Canto e Castro (1918-1919), Dr. José de Almeida (1919-1923), Dr. M. T. Gomes (1923-1925), Dr. Bernardino Machado (1925-1926), Gen. Gomes da Costa (1926) Mar. Óscar Carmona (1926-1951), Mar. Craveiro Lopes (1951-1958), Alm. Américo Thomaz (1958-1974), Gen. António Spínola (1974-1976), Gen. Ramalho Eanes (1976-1986), Dr. Mário Soares (1986-1994), Dr. Jorge Sampaio (1994-2006), Professor Aníbal Cavaco Silva (2006-?)
Dr. Teófilo Braga
Prof. Aníbal Cavaco Silva
 
Após acesa polémica entre os partidários do azul e branco e os do verde e rubro, as cores da bandeira nacional fixaram-se ainda em 1910. A bandeira é rectangular (2:3), tal como as suas antecessoras, e bipartida de verde e encarnado, ocupando o verde, dois quintos da largura e o vermelho os restantes três. Centrada na divisão, o brasão da República, constituído pelo escudo (de novo em formato “português") sobreposto a uma esfera armilar, cujo diâmetro é igual a metade da altura da bandeira.

 

 

 

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